a mãe não é uma peça atual

A Revolução está morta. Viva a Revolução!
 Lênin

Bertolt Brecht é um companheiro de trabalho. Muito criticado, muito falado mas pouco conhecido. Alguns insistem em dizer que é chato. Talvez seja chato mesmo. Como ele próprio dizia, via-se dividido entre a macieira em flor e Hitler. Mas só o segundo o levava à escrivaninha. É claro que falar sobre as macieiras ou sobre os seios quentes das meninas é menos chato.
A MÃE não é uma peça atual. Não vivemos numa época revolucionária, a nossa bandeira não é mais vermelha. A foice e o martelo não existem mais. Parece que conceitos como esquerda e direita já são considerados anacrônicos. No nosso país um partido socialista está no poder. Um homem de esquerda é o nosso presidente. Além do mais, dizem que se a situação não está melhor para todos, para os mais pobres melhorou muito. Pelo menos é o que dizem.
Quem ganhou? Quem perdeu?
Para que remexer em certas questões?
Vivemos um período de normalidade democrática.
Democraticamente convivem no congresso ex-torturadores e ex-guerrilheiros. Democraticamente a sociedade debate se a família Lamarca tem ou não direito a pensão. Ainda temos que conviver – talvez tenhamos sempre – com indivíduos que não sabem viver nesses períodos. Talvez por isso tenham destruído o momumento aos sem-terra projetado por Niemeyer. Será que os sem-terra precisam de um monumento?
Por que será que o nosso presidente disse publicamente não conhecer uma das lideranças mais importantes deste movimento? Será relevante citar tais questões?
A MÃE não é uma peça atual. Fala de um tempo que passou. Onde as esperanças e os sonhos eram outros. Muitos anos nos separam. 1905 Gorki, 1917 a Revolução, 1931 Brecht, 1996 CIA ENSAIO ABERTO. É claro que tudo se transformou.
 O que ainda nos resta fazer?
 Luiz Fernando Lobo